Janeiro 19, 2026

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Pesquisa capixaba desenvolve tecnologia para produção de amido de banana verde voltada ao agronegócio

Uma pesquisa conduzida no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Venda Nova do Imigrante, está propondo uma alternativa para o aproveitamento da banana no estado: transformar frutas que seriam descartadas em amido resistente, um ingrediente funcional com potencial de uso tanto na indústria de alimentos quanto no mercado de suplementos.

O Brasil e o Espírito Santo registram perdas significativas de frutas ao longo da cadeia produtiva. Segundo o professor e engenheiro de alimentos Genilson Paiva, boa parte das bananas não chega às prateleiras por motivos estéticos, tamanho fora do padrão, danos no transporte ou maturação inadequada. Parte desse volume vira ração ou adubo, mas o desperdício permanece elevado.

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“Você pode achar até absurdo, mas perde-se de 40% a 60% do que é produzido. Isso não acontece só com banana, mas com várias frutas. E boa parte dessa banana que não vai para o comércio poderia ser aproveitada com processamento”, explica.

Genilson pesquisa a banana verde há anos. A trajetória acadêmica começou com a farinha de banana verde e passou pela biomassa, chegando agora ao amido, que é considerado um produto mais concentrado.

“Eu tenho uma longa pesquisa com processamento de banana verde. Trabalhei com farinha de banana, depois fiz meu doutorado para avaliar as propriedades da banana verde na farinha, estudei biomassa e, agora, recentemente, comecei a trabalhar com o amido da banana”, conta.

Mas o que faz esse produto ser tão especial?

“A biomassa e a farinha de banana verde são conhecidas pelos nutricionistas porque a banana verde tem amido resistente, que não é digerido no intestino delgado e funciona como fibra alimentar. Quando essa fibra chega ao intestino grosso, ela traz benefícios para a microbiota intestinal, ajuda a regular o metabolismo do colesterol e contribui para a prevenção de doenças metabólicas”, explica.

Apesar do grande número de pesquisas no Brasil sobre o tema, o professor destaca que não há produto comercial de amido de banana isolado no país hoje.

“Existem centenas de dissertações e teses sobre o amido de banana, tanto do ponto de vista do processamento quanto dos benefícios para a saúde. Mas, comercialmente, no Brasil o produto ainda não existe. Nem para uso industrial, nem como suplemento”, afirma.

Aplicações: alimento, suplemento e alternativa ao glúten

O pesquisador testou como substituto de farinha na indústria de alimentos. Além da funcionalidade nutricional, há o apelo para pessoas com restrições alimentares. Ele pode ser usado inclusive em nichos específicos, como consumidores preocupados com a saúde e pessoas com restrições alimentares, como doença celíaca e sensibilidade ao glúten.

“O amido resistente tem sido muito discutido como uma fonte para prevenção de doenças metabólicas, principalmente colesterol e obesidade. Ele dá saciedade, auxilia na dieta, e como não tem glúten, pode ser usado para produtos destinados a quem tem restrição”, destaca.

A pesquisa deu origem à startup Innovative Food Solutions, criada para tentar levar a tecnologia para o mercado. Genilson recebeu apoio da Fapes, chegou a produzir o amido em escala piloto e avançou para uma modelagem industrial.

“Eu participei de um edital da Fapes que apoia ideias inovadoras. Cheguei a fazer testes em escala piloto e produzi amido de banana dentro de uma fábrica de banana passa, com adaptações. Não precisei inventar equipamento, porque tudo existe no mercado. Cheguei até o ponto em que eu precisava de um sócio investidor”, relata.

Para ele, o público para consumir o amido de banana existe, só não foi alcançado ainda. “Há um nicho muito grande de consumidores voltados para alimentação saudável, restrição ao glúten, diabetes e suplementação”, completa.

Impacto para a bananicultura capixaba

A banana está entre as culturas mais cultivadas no Espírito Santo. A fruta está presente em 76 municípios do estado e movimenta quase R$ 1 bilhão anualmente na economia. O estado é um dos maiores produtores brasileiros, exporta a fruta e tem um polo significativo de banana orgânica.

O pesquisador vê potencial para o agronegócio, especialmente em regiões produtoras. “Quando acontece a safra, o preço cai e sobra banana. Se o produtor pudesse destinar parte dessa banana para produzir amido, ele teria um produto que pode ser estocado e vendido o ano inteiro. Isso resolve o problema da perecibilidade da fruta”, explica.

Ele também cita o aproveitamento de bananas descartadas por unidades exportadoras. “Nas exportações, as bananas pequenas não são exportadas. Esse descarte poderia virar amido. Então tem oportunidade tanto no varejo interno quanto no setor exportador”, afirma.

A pesquisa contou com apoio financeiro da Fapes e foi desenvolvida por uma equipe formada por professores, técnicos e estudantes bolsistas do Ifes.

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