A convergência entre as revoluções na produção energética e o avanço na tecnologia de informação poderá reduzir os custos de funcionamento energético das famílias em 80%, os custos dos transportes em até 70% e os custos de produção entre 40% e 70%, segundo uma nova análise do “think tank” Ember.
O relatório, intitulado “The Age of Power”, lançado nesta quarta-feira, defende que as tecnologias que estão a transformar os sistemas energéticos e as que impulsionam a economia digital estão “cada vez mais assentes nas mesmas tecnologias, cadeias de abastecimento e modelos económicos”.
Esta convergência está, segundo a Ember, a transformar a competitividade industrial, os mercados globais e a geopolítica.
“Cada país precisa de reduzir os custos da eletricidade, adaptar as políticas para permitir que as pessoas adotem a electrotecnologia e as tecnologias da informação e encontrar um nicho no novo sistema onde possa prosperar”, afirma Kingsmill Bond, diretor da Ember.
De acordo com o relatório, a eletricidade ultrapassou o petróleo como a maior fonte mundial de energia útil em 2007, enquanto mais de 99% do armazenamento e das comunicações de informação a nível mundial já funcionam com eletrões.
A Ember identifica cinco tecnologias comuns às duas revoluções, sendo estas chips, baterias, eletrónica de potência, motores e sensores. Desde 1990, o custo combinado destas tecnologias caiu 99%, com o desenvolvimento de cada uma a contribuir para tornar as restantes “mais acessíveis”.
O relatório dá como exemplo a relação entre smartphones, baterias e veículos elétricos. A expansão dos smartphones contribuiu para reduzir os custos das baterias, ajudando ao desenvolvimento da indústria dos veículos elétricos, enquanto estes, por sua vez, contribuíram para tornar as baterias à escala da rede elétrica mais acessíveis.
A análise defende ainda que os países que conseguirem avançar simultaneamente na eletrificação e na digitalização poderão obter “uma vantagem competitiva”. Assim, a China é apontada como “o país que está mais avançado na combinação das duas revoluções”.
Desde 2010, a China mais do que duplicou a sua oferta de eletricidade, aumentou a quota de veículos elétricos para mais de 60% das vendas de automóveis novos e construiu a maior frota de automação do mundo, segundo a Ember.
Para Vincent Petit, vice-presidente sénior de Investigação sobre Clima e Transição Energética da Schneider Electric, a relação entre eletrificação e digitalização está também a alterar o planeamento energético.
“A adoção da inteligência artificial impulsiona a procura de eletricidade, enquanto a eletrificação influencia aquilo que a inteligência artificial poderá fazer a seguir, reforçando-se mutuamente”, salienta.
A análise foi publicada pela Ember antes da Climate Week NYC, a decorrer entre 20 e 27 de setembro, e surge como continuação de “The Electrotech Revolution”.
